terça-feira, 11 de outubro de 2016

Vaqueiros protestam no Maranhão após decisão do STF sobre esporte

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Vaqueiros correndo na vaquejada
Uma manifestação reuniu cerca de 200 vaqueiros do Maranhão na manhã desta terça-feira (11), em frente à sede da Assembleia Legislativa, em São Luís. O protesto foi motivado pela recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de tornar inconstitucional a vaquejada. A Polícia Militar não quis se posicionar acerca do número de manifestantes. Protestos semelhantes foram registrados em outros estados.

O ato teve o objetivo de pressionar os parlamentares maranhenses a se posicionarem na discussão. O grupo deseja que a vaquejada seja legalizada. “Na nossa opinião, a vaquejada não foi analisada como deveria. Ela tem que ser vista como uma tradição nordestina, uma grande festa. A vaquejada gera empregos e tem famílias que sobrevivem desta festa há mais de 100 anos”, disse o vaqueiro Moacir Neto.

A vaquejada é uma atividade muito comum na região nordeste. A história conta que em meados do século XIX a atividade de laçar bois que estavam espalhados por fazendas e trazê-los à força tornou-se popular na região. Isso porque não haviam cercas pelo sertão nordestino. O gado era marcado e depois criado solto.

Atualmente, considerada um esporte, dois vaqueiros tem a missão de conduzir o boi e depois derrubá-lo. Muitas vezes o animal tinha os ossos fraturados ou o rabo arrancado, motivo pelo qual STF decidiu proibir a atividade em sessão do último dia 6 de outubro.

A decisão do STF decorreu de uma lei cearense, que regulamentava a modalidade. A votação foi apertada, e por 6 a 5, os Ministros decidiram que o movimento nordestino tradicional era inconstitucional.

Os argumentos contrários ao STF pregam, principalmente, que além de tradicional, os eventos de vaquejada movimentam muito dinheiro com a geração de emprego e renda durante todo o ano. Dizem também que os animais não sofrem maus-tratos.

“Os animais que fazem parte da vaquejada são tratados com insumos agrícolas produzidos pela população do campo. Os cavalos são bem tratados e as pessoas que cuidam desses animais dependem da vaquejada. É inconcebível que você retire o emprego das pessoas. A partir do impedimento desse esporte, as pessoas vão passar necessidade já na próxima semana. Aqui no estado, mais de 700 empregos serão perdidos”, argumentou Moacir Neto.

Já para o vaqueiro Márcio Braz, a prática vem se aprimorando ao longo dos anos. “Foram adotadas mudanças como o uso do protetor de cauda para que não ocorra a mutilação, os cavalos não correm mais com a espora afiada, o chicote foi completamente abolido, a luva foi remodelada”, explicou o vaqueiro.

Segundo ele, hoje os pátios além de terem uma forração maior de areia para evitar fraturas em caso de queda, oferecem toda infraestrutura para os bois e vaqueiros, como água, comida e banho, o que não ocorria antigamente.

“Na minha visão, os bois não sofrem. Um dos argumentos dos ambientalistas é que os animais eram humilhados na vaquejada. Eu tenho quatro que são tratados com todo zelo”, retrucou.


No STF, votaram contra o relator Marco Aurélio, os ministros Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Celso de Mello, Carmen Lúcia e Ricardo Lewandowski. Os cinco votos favoráveis foram de Edson Fachin, Gilmar Mendes, Teori Zavascki, Luiz Fux e Dias Toffoli. O julgamento começou em agosto de 2015 e teve desfecho no início do mês de outubro de 2016.

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