quarta-feira, 27 de abril de 2016

Estudantes de Bom Jardim no Maranhão sofrem com situação precária de escolas


do Jornal Nacional

Estrutura das escolas da cidade a 280 km de São Luís é precária.
Ex-prefeita foi acusada de desvio de dinheiro da educação e da saúde.

São tantos casos de corrupção que a gente noticia no Jornal Nacional, é tanto roubo de dinheiro de impostos, que algumas pessoas chegam a esquecer do mal que isso pode representar, na prática, pros cidadãos, pra sociedade. Tem gente que perde mesmo a noção do efeito prático desses roubos.

Por isso é muito bom à gente mostrar essa reportagem na cidade de Bom Jardim, no Maranhão. Uma ex-prefeita de lá chegou a ser presa, em 2015, suspeita de desviar dinheiro da educação.

A escola fechou há quase um ano. Não tinha professor.

Agora, os alunos têm que viajar três quilômetros até o município vizinho.

“Quem quiser estudar tem que ir, ou com chuva ou com sol”, diz o lavrador Dorival Amorim.

Alguns pegam carona em um ônibus particular velho, sem qualquer segurança e cheio de caixas amontoadas nos corredores. Até galinha vai junto.

Uma outra escola funciona improvisada onde antes era um bar. Oura, numa casa com cômodos apertados, onde crianças e professores se amontoam e passam calor.

“Tá calor. Não só as crianças [sofrem]. Todos nós [sofremos]”, relata a professora Marilene Silva.

O esforço para estudar é rotina para quem mora em Bom Jardim, que tem 40 mil habitantes e fica a 280 km de São Luís.

Em 2015, a cidade ficou conhecida por causa da prefeita Lidiane Leite, que foi presa, acusada de desviar dinheiro da educação e da saúde, enquanto ostentava uma rotina de luxo nas redes sociais. Na época, ela era do PP, mas foi afastada do partido.

A vice-prefeita, Malrinete Gralhada, do PMDB, que assumiu, também está sendo investigada pelo Ministério Público por suspeita de fraudar licitações.

“Eu sou um livro aberto. Você pode pegar todas as certidões no meu nome. E tudo isso vai ser esclarecido”, diz Gralhada.

“Há indícios, sim, de fraude, de realmente beneficiamento. Iremos apurar com muita correção”, afirma o promotor de Justiça Fábio de Oliveira.

Enquanto isso, Bom Jardim segue com escolas sem a mínima estrutura. O teto é de palha, as paredes são de barro e as duas únicas salas são divididas apenas por uma lona. Ali estão alunos da 6ª à 9ª séries do ensino fundamental, estudando juntos. O piso é de terra batida. Também não há energia elétrica, refeitório ou cozinha para preparar e servir o lanche das crianças. A escola não tem sequer um banheiro de verdade: o que tem é um cercado de palha.

“[Gostaria de] uma escola que tenha banheiro, tenha um repertório para fazer a merenda, a zeladora”, diz a aluna Nilza Castro.

Até os adultos que querem retomar os estudos enfrentam muita dificuldade. Como as aulas são à noite, eles têm de usar lanternas para conseguir enxergar a lição. O lampião a gás não é suficiente para clarear a sala e cada um traz sua própria luz.
“Tem que ser no escuro, enfrentando essa lanterninha. Para ver como é a nossa vida, o nosso sofrimento. Nosso dia-a-dia não é fácil”, relata o agricultor José Matos.

A secretária de Educação de Bom Jardim, Marinete dos Santos da Fonseca, disse que pediu a instalação de energia na escola e prometeu resolver a falta de banheiro na outra.

A ex-prefeita Lidiane Leite usa tornozeleira eletrônica enquanto aguarda julgamento.

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