terça-feira, 15 de março de 2016

Aumenta a pressão do PT para que Lula assuma um ministério


A Justiça de São Paulo mandou a investigação contra o ex-presidente Lula para Curitiba e aumentou a pressão de petistas para que o ex-presidente ocupe um ministério.

No Congresso, o governo e a oposição querem pressa para discutir o impeachment, mas por motivos opostos. O plano da oposição é: na quarta-feira (16), os ministros do Supremo se reúnem para concluir o julgamento dos recursos que questionam as regras do impeachment. 

Em seguida, o presidente da Câmara quer instalar logo a comissão especial do impeachment.

E as articulações das próximas horas da presidente Dilma dentro do governo e com o Congresso serão decisivas e incluem a possibilidade de Lula virar ministro.

As reuniões no Palácio do Planalto entraram pela noite. Senadores e deputados do PT foram chamados para discutir com ministros estratégias de defesa da presidente Dilma no processo de impeachment. Com o apoio de alguns ministros, um grupo de petistas continua pressionando para que o ex-presidente Lula assuma um ministério para ajudar na articulação política.

“A questão do impeachment passa pela articulação do Congresso Nacional que são os parlamentares que irão votar, por uma aglutinação da base e, se possível nesse período, por uma melhoria do quadro da economia porque isso anima todo mundo, inclusive os parlamentares”, diz o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner.

No Congresso, o tamanho das manifestações deu o que falar. Para a oposição, o recado das ruas foi muito claro.

“Dá muita força ao processo de impeachment, mas mais do que tudo, exige do Congresso uma tomada de posição. É como se a sociedade tivesse dito: ‘Eu fiz a minha parte, agora você, congressista, faça a sua parte’", afirmou o senador José Agripino Maia (DEM-RN).

Já os governistas dizem que os protestos não foram apenas contra o governo Dilma.

“Ali tinha uma clara disposição de rejeitar todos os políticos, seja da base do governo ou de oposição. É uma postura muito forte da sociedade questionando os políticos que hoje existem”, disse o líder do governo no Congresso, senador José Pimentel (PT-CE).

O governo se organizar para tentar derrubar os argumentos pró-impeachment e acha que é melhor fazer logo isso porque sabe que pode perder parte do apoio que ainda tem, como o do PMDB.

O presidente da Câmara disse que deve ser rápido. Ele quer dar início ao processo assim que o Supremo Tribunal Federal definir as regras, o que está marcado para esta quarta-feira (16). Cunha calcula que a decisão sobre o pedido de afastamento pode sair em pouco mais de um mês.

“Eu estimo em 45 dias depois de detonado o processo. Então, de quinta-feira a 45 dias é um tempo com todos os percalços bem plausível de se acontecer”, disse o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

No Senado, o clima voltou a esquentar. “Se nós queremos realmente dar à população brasileira, dar a sociedade brasileira uma calma, um equilíbrio, para que a gente possa sair dessa situação em que nos encontramos, de crise política, nós precisamos muito do PMDB assumindo seu papel institucional. E o papel, ao lado do governo, porque o governo é”, disse a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), vice-líder do partido.


"O PMDB entrou com o vice-presidente Michel Temer em uma chapa. O PMDB ocupa posições no governo e algumas delas estratégicas, em setores definidos. Mas, da eleição para cá, esse processo de entendimento, de parceria foi se desconstruindo, foi se esfacelando”, afirmou o senador Romero Jucá (PMDB-RR).

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