segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Marina vira alvo de Dilma e Aécio

Marina Silva
O resultado da pesquisa Datafolha desta segunda-feira (18), encomendada pelo jornal Folha de S.Paulo, vai obrigar tanto o PT quanto o PSDB a fazerem mudanças em suas campanhas presidenciais. Até aqui, os dois trocavam ataques e tentavam gestos cordiais em direção a Eduardo Campos, na expectativa de contar com o apoio do socialista no segundo turno. Agora, tudo mudou. A entrada de Marina Silva na disputa ameaça tanto Aécio Neves quanto Dilma Rousseff.

Diante desse novo cenário, em que Marina é a principal adversária dos dois – porque tira Aécio do primeiro turno e derrotaria Dilma no segundo –, a dúvida que fica é quem vai atacar primeiro: o PT ou o PSDB.

Em meio à comoção no país provocada pela morte trágica e precoce de Eduardo Campos, é de se esperar uns dias de trégua. Mas, ao final disso, os ataques serão fortes.

Na eleição de 2010, o PT mirou no lado mais conservador de Marina Silva. É o que pode se repetir agora. Afinal, segundo essa pesquisa, Marina conseguiu conquistar grande fatia do eleitorado que está descrente com a política e não queria votar em ninguém ou anular o voto. Caiu o contingente dos não votantes – de 27% para 17% dos eleitores, segundo o DataFolha. A pesquisa mostra ainda que não alterou o contingente de eleitores de Dilma (36%) nem o de Aécio (20%).

Para o PSDB, o ponto fraco a mirar em Marina é sua capacidade de gestão. Esta era uma das marcas de Eduardo Campos pela experiência como governador de Pernambuco. Não é o caso de Marina. Pode ser um flanco a ser atacado. Esta é uma preocupação do PSB na composição da chapa. Há um grupo que gostaria de ver um vice que garantisse na chapa este compromisso que era de Eduardo com a gestão das políticas públicas.

De sua parte, Marina segue calma e sem cometer erros. Desde a notícia do acidente com o avião em que estava Eduardo Campos, ela adotou um comportamento discreto. No primeiro instante, fez uma declaração em favor de Eduardo e se recolheu. Depois de uma manifestação pública da família (feita, inicialmente, pelo irmão Antonio e depois pela viúva Renata Campos em conversa com ela), Marina passou a admitir entrar na disputa. Mas só se pronunciou para o presidente do partido, Roberto Amaral.

A partir do velório, ela passou a falar nos compromissos de Eduardo Campos que deveriam ser preservados. Com isso, ela amplia o próprio discurso para não se tornar uma candidata temática, que falasse apenas de sustentabilidade. Assim, ela vai construindo o discurso de sua candidatura. No momento em que o candidato a vice for formalmente anunciado, ela já terá incorporado o discurso do PSB.


E os adversários vão procurar incoerências e defeitos para tentar mudar o retrato da pesquisa desta segunda-feira. Até aqui, eles dizem que a pesquisa está contaminada pela emoção provocada pela morte de Eduardo Campos.

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